“Amar é dar aquilo que não se tem.” Autor: Crascante Amar é prometer. Prometer vem do latim, promittere, significa atirar longe; propor; prometer, é obrigar-se verbalmente ou por escrito a fazer ou dar alguma coisa. Então amor é prometer o que não se tem, é dar esperanças de preenche a falta, que é geradora do desejo. Só existe amor entre dois sujeitos. Definimos sujeitos, como sujeitos dos desejos inconscientes, seres desejante e separados, que afetados pelo amor são capazes de desejar, mesmo sabendo que ao realizarem os desejos serão confrontados com a falta, necessitando de novos desejos. Os desejos quando simbolizados, são traduzidos em palavras, aparecendo na fala, mas não na fala verbalizada sob o controle na consciência sob recalque, mas na fala que vem do inconsciente. A fala que vem do inconsciente usa disfarces para surgir em cena, necessitando serem traduzidas, em livre associação, que é condição necessária para sua leitura, pois ao acelerar a fala rompe o bloqueio do recalque, aparecendo nos atos falhos e na negação. O inconsciente é estruturado como linguagem, sendo o seu conteúdo produto dos traços recalcados durante a inscrição pelo recalque primário. O conteúdo do inconsciente tenta de todas as formas romper a repressão usando mascaras e dissimulando. A psicanálise se utiliza deste conteúdo para seu estudo, que é orientado pelos conceitos da metapsicologia. Os sonhos são realizações dos desejos inconscientes. São traduzidos usando condensação e deslocamento,conforme Freud ou metáfora e metonímia, conforme Lacan, utilizando a articulação com o inconsciente de um sujeito desejante. Os sintomas são metáforas e realizações dos desejos. Todo desejo busca reencontrar o objeto da falta e do gozo, “objeto a”, que são lembranças de traços marcados pelo olhar e voz prosódica do Outro. O entusiasmo afeta para a vida. Precisamos de gotas de entusiasmo para criar e amar, gerando desejo de viver. Sendo a vida uma linha infinita dentro do tempo, cuja etapa podemos ter a oportunidade vivenciar, influenciando a cultural ao ser introduzido no simbólico e fantasiando a imortalidade. Segundo Albert Camus, toda tentativa de imortalidade é frustrada devido à transitoriedade das coisas. Freud em seu texto “sobre a transitoriedade”, falou sobre a efemeridade das coisas, que são destruídas e reconstruídas mais fortes que antes. É esta saudade que temos da vida, a cada dia que se desapega dela, consumindo-a gota a gota ao vivê-la.
Escrito por Crascante às 19h36
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Quem Ama Liberta. Crascante "Nós podemos chegar a ser cultos com conhecimento de outros homens, mas nós não podemos ser sábios com sabedoria de outros homens." Montaigne “Não há sentido que não seja do desejo”. “ Não há verdade senão daquilo que esconde este desejo de sua falta, fingindo que não quer nada diante do encontro”. Lacan . Segundo Lacan “amar é dar aquilo que não se tem”.Quem ama dá ao outro o amor que não se tem, demandando o retorno do amor deste outro, assim fantasiando ser preenchido por ele. Mas Lacan em seu livro seminário “Mais ainda” ele diz que amor, ódio e ignorância são os mesmos sentimentos, lembrando-me uma crônica do Rubem Alves que relata a discórdia entre Deus e o diabo para saber qual a força que usariam para unir os casais. O diabo defendeu o uso do ódio, mas Deus escolheu o amor. Então sentimos amor e ódio pela mesma pessoa? Podemos tratá-la também com ignorância? Freud nos diz que o ódio vem antes do amor e nossos sentimentos em relação ao outro oscilam entre amor e ódio, ou seja, quanto mais amamos, mais somos capazes de odiar; quanto mais próximos, mais queremos destruir este amor, aprisionando-o em uma trama de sentimentos. Será que somos capazes de liberta que amamos? E será que continuaremos amando sem sentimentos de posse? Conforme Rubem Alves “quem ama liberta”. Libertar alguém que amamos é dá-lhe oportunidade de viver sua vida, sendo guiado por seu desejo, respeitando o seu direito humano de viver, de desejar e ser livre para escolher o que lhe apraz. Só somos capazes de realizar a libertação de quem amamos quando percebemos quanto somos escravos da presença do outro para amarmos, demandando o seu amor e assim tentando tamponar algo do vazio. Será que aprisionamos o outro para continuarmos alimentando nossas fantasias, assim permanecendo no prazer e fugindo da realidade dura e cruel?
Escrito por Crascante às 19h37
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(Continuação do texto "Quem ama liberta".)
A posição que o outro ocupa em nossa fantasia é como objeto “a” descrito por Lacan, portanto este amor é fantasia e assim podemos usar matema da fantasia: $ <>a . A fantasia é do sujeito barrado ($),divido pelo significante do nome-do-pai, estando no simbólico. Este sujeito castrado vivenciou as etapas do complexo de Édipo.
Libertar quem amamos é se libertar para amar o mundo, redistribuindo sua libido, sua pulsão em busca de novos objetos de desejo. Como o desejo só ocorre no simbólico, ele nos protege do encontro com o Real, com a castração, pois não gozamos no simbólico. Toda vez que relacionamos com o outro no simbólico, podemos obter prazer através do sentido que elaboramos nas trocas simbólicas, mas sempre havendo restos que conduzem à geração de novos desejos. Portanto sempre haverá resíduos que nos farão reencontrar com aquele objeto, que como objeto parcial é representado pela fala. Lacan explica que o objeto de desejo e de gozo, ou seja, “objeto a”, produz somente um gozo parcial, sendo representante dos objetos perdidos: olhar, a fala, mamas, excrementos e o falo. Na busca destes objetos de gozo, o sujeito deseja reencontrá-los que como parciais foram perdidos, protegendo-nos do gozo simbólico. Este mecanismo nos faz entrar novamente no circuito do desejo, mantendo-nos nesta buscar impossível .
Desejar que o outro seja fiel ao seu desejo, pode ser possível quando bancamos nossos próprios desejos, sendo fieis aos desejos de nosso inconsciente. Descobrir a respeito do desejo do inconsciente é ter coragem de enfrentar o desconhecido de onde vem o pensamento, que traduzido na fala e na escrita poderá ser analisado, aflorando o desejo, cujo objeto se insere entre as lacunas dos deslizamentos da cadeia significante.
Como sujeito, somos significantes para outros significantes, portanto à medida que deciframos algo do inconsciente e seus desejos, podemos bancá-los ou não. O desejo faz gerar o entusiasmo que colocamos nestes enfrentamentos e a firmeza com que nos posicionamos a partir dele, fazendo-nos descobrir que somos capazes de mudar tudo à nossa volta. O sujeito é significante para outros significantes, cujo desejo aflora na fala, fazendo mudanças em nossa relação com os outros, e em contrapartida fazendo também mudanças nas posições subjetivas do outro.
Deixar o outro livre para viver é dar a oportunidade de ambos se escreverem como sujeitos desejantes na cultura, realizando o desejo de serem reconhecidos pelos outros através da sublimação, assim, indo além deste outro amado e fantasiado, para ser agente de mudanças dentro da cultura, restando no final da existência como signo eterno .
Escrito por Crascante às 19h37
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