A criação do homem.
Ela acordou cedo atormentada por pensamentos picantes que a excitavam e faziam umedecer seu corpo, que se aquecia em brasas, mudando sua cor. Olhou para horizonte e viu somente lama e lhe deu uma vontade incontrolável de se refrescar. Tomou banho de água fria, mas algo estranho a acometia, sua boca tremia e o pensamento escorria pelos dedos de um homem. Sua calcinha estava toda molhada, algo se avolumava por entre as pernas. Incontrolável era seu desejo de rolar na lama, que a empurrava para se deitar nela. O desejo era tão intenso, que neste momento de fúria, ela correu ansiando encontrar com ele. O homem era uma miragem, assim se viu atolada no barro ocre. Sua perna se refrescava atolada até a canela, parecia as mãos de um homem. Ela olhou de novo e ele estava ali preso no lamaçal. Ela o observou e sentiu a volúpia, uma vontade louca de lhe dar formas e erotizar seu corpo. Suas mãos já não a obedeciam e começaram a moldá-lo energicamente, como se toda a quentura do seu corpo fizesse arder sua mente neste delírio de prazer. Começou moldando os pés e pernas musculosas como de jogadores de futebol, braços firmes e bem torneados, rosto de um deus grego, tórax ressaltando os peitorais e abdômen firme. Na região pudenda, pôde idealizar o falo aos moldes dos seus anseios. Ao finalizá-lo, sentiu a tristeza de sua fantasia, mas seus miolos ardiam em desejos, impulsionando seu corpo ao encontro do dele, ela era brasa. Ao tocá-lo a lama foi se enrijecendo, ficando macia e tesa como a pele de um homem. Sentiu as batidas de seu coração, não podia acreditar na força do seu apetite. Aqueles braços se moveram e a aconchegaram junto ao seu peito. Ela foi lentamente percorrendo sua anatomia com o olhar e passando a língua e o beijando para libidinar o seu corpo. Suas mãos acompanhavam seu pensamento. O corpo de lama se aqueceu e foi excitado. Ele se moveu como um animal, agarrando-a firmemente, até que se sucedesse em sexo profundamente incontrolável, os movimentos se aceleraram a ponto de uma fusão, a medida que os corpos tremiam no fruir do prazer, foram escandecendo. Rolaram para fora da lama para um local macio por sobre a serragem. Os corpos em brasa ardiam. Eles soltavam urros e gritos que cresciam a medida que se aqueciam, eram dor e prazer, até que a brasa se tornou fogo e se espalhou pela serragem de sândalo e canela, fazendo evaporar um cheiro doce de amor. Eles continuaram se amando até explodirem em gozo, fazendo-os trincar a pele, mortificando-os na posição do amor e em expressão jubilosa.
Crasso Campanha Parente
Escrito por Crascante às 13h05
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