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Pensamentos Filosóficos
 


Vida , Desejos e Fantasia  À Beira Do Precipício

 

Autor : Crascante

 

Viver à  beira de um precipício nos ensina a viver.

Estar à  beira  de um precipício nos faz recuar e agarrar às vegetações que pendem de lá.

Andar na beira de um precipício nos faz apreciar a beleza de suas reentrâncias , de suas falésias, de vales onde deságuam rios em cascatas  de amor e onde correm riachos tortuosos.

Saltar de um precipício no abismo do nada, voando e sem sofrimento é delírio da angústia negada.

Sofrer à beira de um precipício é saber que somos arrastados a ele por ventanias da vida, duendes negros , bruxas aladas e ladrões de sonhos.

Cantar à beira de um precipício é sentir o vento nos chamando ao todo se diluir.

Gritar à  beira de um precipício é ter a ilusão de esperar a resposta de um eco impossível.

Amar na  beira de um precipício é correr o risco de viver e morrer.

Construir castelos à beira de um precipício , são fantasias de segurança que o tempo e o  vento irão levar ou a erosão da matéria derrubará. Pura transitoriedade !

Estar  à beira do precipício e não se desesperar é fingir que o campo de força invisível do amor nos manterá aqui no alto desta existência vã.

Sonhar com a beira do precipício é ter noção do inevitável .

Mergulhar de uma cascata à beira de um precipício  e acreditar que será amparado por águas tranqüilas é manter a ilusão da eternidade ou crer na conveniência do amor divino e oceânico da energia  cósmica.

Mentir à beira de um precipício é viver a obnubilação de ser quando tudo nos conduz a ter .

Viver a disputa pela vida é estar a cada dia à beira de um abismo e continuar acreditando na vida e criando motivos para viver em harmonia com nossos desejos, é manter o olfato aguçado voltado para o aroma deste existir, é sentir o toque deste outro com seus desejos impossíveis , é perder o medo de ser um pequeno elo no objetivo deste todo que nos mantem em desequilíbrio e nos impulsiona a rolar nossa própria pedra para o mar , a beira de uma falésia , porém sem se precipitar.

 



Escrito por Crascante às 22h40
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Choro mudo da alma. 

 

Choro pela vida e pela morte , pela paixão e pelo luto.

Choro pela fantasia não realizada , pelo amor perdido .

Choro por esta tristeza bizarra da efemeridade do eu.

Choro pelo desapego da vida e do corpo , pela decrepitude dos homens.

Choro pelo bem e pelo mal .

Choro pela borboleta aprisionada em casulos de concreto a espera de voar.

Choro pela fome do tempo perdido na poeira da escuridão .

Choro me aprofundando no vazio em mim mesmo .

Choro por ser e não ser, por quereres e não-quereres infinitos.

Choro por querer o alívio de tudo e saber que tenho que caminhar para o nada,

 fingindo que encontrarei o tudo em cada esquina de dor.

Choro pela solidão dos homens fantasiando em seus fortes, armados,

  lutando para conquistar o direito de sonhar e se distrair .

Choro pela transitoriedade dos pensamentos, da vida e da beleza.

Choro neste momento de dor e desapego desta escravidão do desejo deste outro

 que ampara minha fantasia.

Choro pelo sofrimento que me vejo no outro a se desintegrar.

Choro por todos os fantasmas que  rondam o meu ser.

Choro e desabafa minha alma que sofre sem dor.



Escrito por Crascante às 22h06
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